Last night at the Hollywood Bowl was magical! An orchestra played samba reggae while batéria drummed and 38 dancers paid homage to the legacy of the bloco afro in Salvador-Bahia, Brazil. We have Vera Passos, dance virtuoso and rhythm fanatic, to thank for the scorching hot choreography. Dr. Scott sat down with the inimitable Passos to ask her about her dance making process. It should come as no surprise that really, Passos is recreating the world, one phrase at a time. This entry is presented in its original Portuguese. 

Por favor, fala um pouco sobre sua método de construir uma dança. Escolhe a tema primeiramente ou alias, a tema se buscar e comanda sua atenção?
Muitas vezes somos contratados por uma instituição, e normalmente já existe um plano coreográfico. Neste caso é preciso mergulhar no tema apresentado fazendo uma pesquisa profunda. Ainda que tenha conhecimento do que será abordado, precisamos esta revisitando esses lugares mágicos o tempo inteiro. Em outro formato, recebemos mensagens que nos direcionam a trabalhar com determinados temas, sejam eles culturais, sociais, políticos, fictícios… Existe um jogo de intuições que se conecta com a sua vivência artística, e te mostrando caminhos, criam possibilidades de desenvolver algo que vai influenciar a sociedade, trazendo sensações, cores e sabores que nos fazem refletir o momento que estamos vivendo.

Quero saber a seguinte: como você conseguir de ascender a chama, a paixão da expressão da dança afro contemporânea em Los Angeles, e depois que dar luz, qual é a maneira prático de usa-lo na busca da verdade de ser uma dançarino? 
Eu estou tentando manter vivo o que os mais velhos começaram aqui no mundo!!!
A vida tem que ser apaixonante sempre, temos que levar amor e respeito na nossa bagagem, independente de onde estamos indo. Beber da água da fonte sagrada e se permitir, se conhecer, mergulhar, descobrir, ser, agradecer!!!

Viver Brasil performing with the Hollywood Bowl Orchestra, August 13, 2016, in bloco afro choreography by Vera Passos.

Viver Brasil performing with the Hollywood Bowl Orchestra, August 13, 2016, in bloco afro choreography by Vera Passos.

A primeira coreografia que você criou pelo Viver Brasil foi O Paz Transcende. Voltou em julho para treinar e montar uma nova peça na cia. para o Hollywood Bowl. Como se diferencias entre os dois processos e as peças? O que é de novo? Como lhe chama?
Foi em 2015, quando homenageamos D.Cici, e a ideia era contar a sua historia de vida, fazendo uma conexão com o caos que esta o mundo, tendo como fonte de pesquisa a simbologia dos Orixás. Agora para o Bowl, a ideia é homenagear os blocos afros de Salvador que saem no carnaval contando suas historias de resistência e afirmação, com muita alegria. O viver em comunidade que fortalece, a celebração da vida, da existência, clamando por um mundo melhor.

Estamos o tempo inteiro buscando harmonizar os encontros entre diferentes povos, a ideia é que através de nossas criações consigamos tocar o mundo, e que todos possam seguir apreciando o bem comum em paz.
             
A Linda Yudin me falou que há  53 artistas neste trabalho pelo Hollywood Bowl. Já tinha montado uma coreografia deste tamanho? Como se sente?
Para bailarinos profissionais não, mas considero que trabalhar com pessoas nessa dimensão não sofre interferência. Pelo menos uma vez por ano, coreógrafo para uma escola inteira, isso pega desde as crianças no maternal até o high school. Nestes trabalhos, eu funciono como coreógrafa, diretora, sonoplastia, figurinista, cenógrafa… Não é fácil trabalhar com muitas pessoas, mas me sinto feliz e agradecida pela confiança, e pelo espaço de boa convivência que consegui manter junto com todos.

Este show é uma celebração do Olympics e do Brasil sendo o primeiro pais do América do Sul de receber os Jogos Olympícos, porem, o mundo está procurando saber se realmente dar para celebrar. O que você acho?
Acredito que estamos neste momento de reflexão mundial onde muitas coisas ruins estão acontecendo. A cada dia que passa o entusiasmo e a esperança estão perdendo força, esse comportamento acaba fortalecendo a energia negativa. Sempre acreditei que os artistas e todos que se deparam com uma grande quantidade de pessoas, podem e devem interagir, falando da realidade mundial: dos atos racistas que assolam o mundo, das desigualdades sociais e intolerâncias, que cercam nosso dia-a-dia. Assim podendo vir a plantar sementes de mudança dentro de cada um, as quais se multiplicam.
Somos distraídos nas Olimpíadas e na vida, e por isso deixamos de visualizar o caminho que nos é apresentado, por outro lado, podemos transformar vidas, no momento que uma criança vê um atleta se tornar campeão e, assim desperta a curiosidade para o esporte, fortalecendo o pensamento de que um dia será uma campeã, principalmente da vida.
          
Queria falar mais alguma coisa?
Quero sempre agradecer a Linda Yudin, Badaró, Viver Brasil e toda a comunidade de LA que sempre me recebe de braços abertos!!!
Um ciclo termina para que outro comece sempre, e a esperança é que as novas águas circulares, sejam  sempre melhores e mais doces para todos. Que o mundo nunca pare de pulsar, que a harmonia sempre proteja nossas cabeças, e que todos os encontros sejam cercados de amor e muitas flores!!!

 

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